sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Ingratidão

Agir com desdém, traição, ingratidão, etc., parece ser um dos artifícios mais usados pelo ser humano desde os primórdios. Quem não se lembra da frase dita pelo Imperador Romano Júlio César ao amigo ingrato e traidor Brutus: "Até tu, Brutus"; e/ou a frase de Jesus de Nazaré ao amigo ingrato e traidor Judas: "Judas, meu amigo". Acredito que muitas pessoas não apenas conhecem tais frases como, também, os contextos históricos que ambas foram emitidas. Elas possuem semelhanças, semelhanças essas onde o resultado é a morte. O Imperador Júlio César foi esfaqueado pelo próprio amigo e os seus aliados e, por isso, é claro, faleceu; Jesus de Nazaré foi entregue aos assassinos através de um beijo, beijo esse que foi um sinal, um sinal que apontava o procurado. O resultado do beijo foi a morte de Jesus. Desta maneira, a morte é a chave que une essas duas histórias. Poderíamos lembrar e citar inúmeros casos exatamente como os mencionados, porém, não é preciso, visto que não estamos fazendo uma análise exaustiva da história em relação ao tema, mas sim, promover uma rápida e sucinta reflexão.
O desdém, a traição, a ingratidão, etc., não necessariamente nos mata de forma literal, mas pode matar uma amizade, uma relação, um sonho, etc. E quando isso acontece, logo ficamos imaginando e perguntando para nós mesmos: por que tal pessoa (amigo/a) fez isso comigo? Por que tratou-me assim? Por que traiu-me? Por que é tão ingrata comigo? Por quê? Por quê? Por quê? Esse questionamento ocorre, antes de mais nada, porque, pela nossa lógica, pessoas que consideramos amigas não poderiam agir assim conosco. Mas vejam: "[...] pessoas que consideremos amigas [...]". Eis aqui o problema! Nós consideramos tal pessoa como sendo nossa amiga, mas perguntamos (ou de fato sabemos com toda certeza) para essa pessoa se ela nos considera como sua amiga? Há provas concretas de sua amizade para conosco? Parte da responsabilidade da nossa morte é nossa mesma! Confiamos em quem não deveríamos confiar; depositamos nossa esperança em quem não poderíamos depositar; tornamo-nos vulneráveis porque não tivemos o capricho de desconfiar; morremos porque deixamos nos matar. Não quero dizer, com isso, que não devemos ter amigos/as, pelo contrário, amigos/as devemos ter, mas, para tanto, devemos escolher com critério. Ainda que escolhamos com critério, mesmo assim podemos sair mortos/as da "amizade". Mas é verdade também, que a escolha com critérios diminui sobremaneira os riscos da morte. Assim sendo, nunca é tarde para analisar, com frieza, as nossas amizades. "Somos amigos de...", mas fulano/a me considera como amigo/a?
A ingratidão dói e corrói; por isso mesmo, tornar-me-ei mais vigilante! E você?

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